Centro de São Paulo tem casas e apartamentos vazios em número mais do que suficiente para atender à população que não tem onde morar
DÉBORA ÁLVARES - O Estado de S.Paulo
A reocupação do centro tornou-se uma das principais discussões urbanas de São Paulo. Além de ser uma questão essencial para o problema da habitação na capital, levar de volta moradores à região, que contempla os bairros Bela Vista, Bom Retiro, Brás, Cambuci, Consolação, Liberdade, Pari, República, Santa Cecília e Sé, envolve ainda temas como transporte, segurança, serviços e atrações culturais.
Degradado, o centro foi abandonado por famílias, empresas e governo. Dados do IBGE mostram que o local perdeu 179.584 habitantes ao longo das décadas de 1980 e 90 - para se ter ideia, o Censo aponta que há 290 mil domicílios vazios na região, o que seria mais do que suficiente para criar casas e os apartamentos para atender às 130 mil famílias de São Paulo que não têm onde morar. Ao todo, o déficit habitacional conta ainda com outras 800 mil famílias que vivem atualmente em situação de risco, em áreas precárias ou em terrenos irregulares
Entre 2000 e 2010, em um movimento iniciado especialmente a partir de 2006, a região começou a ter um retorno tímido da população, mas ainda assim um retorno: 65.485 voltaram a habitar a área central da cidade. Com o aumento no número de restaurantes, cafés, bares e lojas na região, aliado a uma infraestrutura ímpar, o próprio mercado imobiliário passou a ver a região com outros olhos. Hoje, há exatos 22 prédios residenciais em construção no centro, o que pode levar ao local, ao longo dos próximos quatro anos, mais de 6 mil moradores.